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O papel da escola e da família da criança surda

Brisa Teixeira – Via Portal Futuro Eventos
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A família é o agente primário de socialização. Ela é considerada a principal responsável pela formação do caráter de uma pessoa e ajuda o filho, por meio de exemplos, a construir a sua identidade própria. Fica fácil falar assim quando não existe, na família, pessoas com alguma deficiência física ou mental. O contrário também acontece, um ouvinte que nasce numa família de surdos, por exemplo, vai causar uma nova maneira da família de aprender a conviver com o “diferente”.

Em uma família onde todos são surdos, a comunicação ocorre naturalmente, mas e quando uma criança surda nasce em uma família de ouvintes? É sobre isso que falarei aqui nesse artigo. Existe uma série de etapas de adaptações, que vão desde o momento que os pais desconfiam que o filho não escuta; sendo que muitas vezes quem identifica isso é a escola. A comunidade escolar quando percebe avisa os pais e tardiamente pensa-se o que fazer.  Quando a escola não percebe, a criança tanto em casa, como na escola, é tratada com impaciência.

Aceitação e adaptação
A outra etapa, depois do diagnóstico da surdez, é a aceitação. Após essa fase, a recomendação é buscar ajuda média e educacional para que os pais se comuniquem com o seu filho, na língua dos surdos, a Libras– Língua Brasileira de Sinais. Se essa família não aprende a se comunicar em Libras, dificilmente essa criança terá um desenvolvimento normal. Ao conversar em Libras em casa, os pais mostram-se responsáveis e preocupados com futuros comportamentos do seu filho no meio social, permitindo a sua adaptação.

A Libras, como qualquer outra língua, segundo especialistas precisa ser inserida na vida da criança nos três primeiros anos de idade, para que a criança adquira a língua de sinais naturalmente. No entanto, o que vemos é uma outra realidade.
Quanto antes os pais souberem da surdez do filho, melhor. Dessa forma eles vão procurar ajuda de profissionais, que irão mostrar a fundamental importância da Libras e de toda a informação que precisam. Isso trará benefícios a essa criança no convívio familiar e na inserção no processo educacional, social e cultural.

Onde está a diferença?
É preciso que a família desmistifique a diferença, não colocando o seu filho na posição de deficiente num contexto de incapacidade. Havendo um correto e intenso acompanhamento, a família verá que o seu filho surdo tem perfeitas condições de se integrar com a sociedade ouvinte.

Intelectualmente, os pais perceberão que não há barreiras, pois quem coloca as barreiras são eles mesmos e a sociedade, que não está preparada e bem informada para lidar com pessoas com qualquer tipo de deficiência. No surdo não há comprometimento que o impeça de aprender, desenvolver-se e, consequentemente, apresentar um desempenho semelhante ao do indivíduo de audição normal.

Deveres dos pais com o filho surdo
Os pais tem como dever prevenir e detectar, na medida do possível, o aparecimento da surdez. É preciso buscar informação nos serviços de saúde, ver a possibilidade de realizar o implante coclear. Os pais também devem comunicar a toda a família o caso, passar informações de como o seu filho pode ser visto com mais naturalidade e para que todos se adaptem a nova situação familiar, no convívio social.

Em que escola matricular a criança surda? 
Outra função dos pais importante é buscar uma educação em uma escola adequada, que pode ser uma escola especial, em que a criança surda vai conviver com outras crianças na mesma situação; como também permitir o convívio com crianças ouvintes para que ela aprenda a conviver com pessoas diferentes que ela. Tudo vai depender do tipo e grau da perda auditiva, já que na maioria dos casos é a família quem escolhe o tipo de escola. Buscar orientação de fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos e pediatras é muito importante nessa escolha.

Procure ampliar seus conhecimentos
A situação de um filho surdo é nova e traz insegurança, por isso é preciso ampliar seus conhecimentos, buscar informações nas leis, que amparam os pais dos surdos e os surdos; trocar informações com pais que passam pela mesma situação, a fim de partilhar com eles seus sentimentos e esperanças. Dessa forma, saberão que outras famílias passam pelas mesmas dificuldades e que possuem dúvidas em comum. Ao saber quais dificuldades enfrentam, fica mais fácil enfrentar, superar, e por fim, encarar com naturalidade a “diferença”.

Fonte: texto publicado pelo Portal Futuro Eventos

Comunidade surda: em busca da igualdade e de sua identidade

Brisa Teixeira – Via Portal Futuro Eventos

Problemas de surdez atingem mais de 9 milhões de pessoas no Brasil; limitação está na sociedade, que exclui o surdo, apesar dos avanços nas leis de inclusão

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A língua oral é imperativa e exclui naturalmente – seja por falta de informação ou falta de sensibilização em enxergar o “diferente” – outras formas de se comunicar. É importante considerar que, segundo o IBGE (2016), existe uma comunidade surda formada por 1,1% da população brasileira, ou seja, 9,7 milhões de pessoas têm deficiência auditiva.

Segundo o Portal Brasil “2.147.366 milhões apresentam deficiência auditiva severa, situação em que há uma perda entre 70 e 90 decibéis (dB). Cerca de um milhão são jovens até 19 anos”. Embora, a sociedade considera a comunidade surda uma minoria, temos mais de 2 milhões de pessoas que precisam participar do processo de integração social, serem compreendidas e incluídas.

Abismo entre teoria e prática
Percebe-se em nossa sociedade, ainda mais quando passamos a ter mais informações sobre o mundo do surdo, que há um abismo entre a teoria, as leis que “garantem” os direitos estabelecidos pelas políticas públicas e o comportamento da sociedade: seja no momento de estudar, trabalhar, fazer as compras, ter um atendimento médico, se divertir, entre tantas outras atividades da rotina de qualquer pessoa.

A interação social se dá na e pela linguagem. Nos comunicamos com os outros por meio da linguagem, que tem um papel essencial de conviver,  cooperar e se relacionar com o outro. A linguagem oralizada impera em nossa sociedade, mas ela não pode ser vista como única, imperativa, pois dentro do que entendemos por linguagem, existe uma diversidade, que deve ser considerada.

Aceitação começa em casa
As dificuldades também estão dentro de casa, quando uma criança surda nasce em uma família de ouvintes. O desconhecimento e a própria negação dos pais de aceitar o filho surdo é o primeiro impasse que essa criança enfrenta, que terá ainda muitas dificuldades de interagir e se relacionar com o mundo em casa e fora dela. Por isso, é de extrema importância que a aceitação e informação comecem em casa.

Em quem mesmo é que está a limitação?
A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS tem amparo da Lei 10.436/2002, mas, infelizmente estamos muito longe de oferecer um mundo igualitário e acessível para a comunidade surda. A sociedade, que vem mudando, mas a passos muito lentos, onde cada conquista é comemorada, quando, na verdade, deveriam ser ações já consolidadas, tamanho é o discurso da democracia, direitos iguais e a própria inclusão. Assim, pergunta-se em tom de provocação e ironia: “Em quem mesmo é que está a limitação?”

A cultura brasileira, até mesmo a de países mais desenvolvidos, é limitada por não saber lidar com o profissional surdo, resultando em pensamento e atitudes permeadas pelo preconceito com aquele mito de que a pessoa com “deficiência” (seja ela qual for) é de incapacidade ou que ele é um “coitadinho” que precisa ser incluído. Ao incluir o surdo no mercado de trabalho – na maioria das vezes só porque existe uma lei de cotas – as empresas pensam em estar fazendo a sua parte, mas na verdade não inclui por completo.

Para refletir
A tudo isso fica uma reflexão de que para diminuir as limitações da própria sociedade, ela precisa, primeiro, perceber essa realidade, perceber o “outro” respeitando a sua deficiência, o incluindo de verdade e de fundamental importância promover efetivamente ações de conscientização, seja dentro das organizações, das escolas, dos serviços prestados, do atendimento médico, dos eventos de entretenimento, enfim, uma cultura de inclusão plena em todos os segmentos.

Fonte: texto publicado pelo Portal Futuro Eventos