Posts tagged resenha

Bem-vindo ao mundo da convergência

 

convergencia_3d_alta

Para a minha dissertação de mestrado li o livro de Henry Jenkins, Cultura da Convergência. Este não é o último livro de Jenkins, recentemente ele lançou Cultura da Conexão – Criando Valor por meio da Mídia Propagável (leia mais sobre ese livro aqui), escrito com Sam Ford e Joshua Green e que pretende ser outra referência no estudo das mídias. Em outro momento falarei mais sobre esse livro
Mas este post é mesmo para indicar e tornar ainda mais conhecido o livro Cultura da Convergência (Editora Aleph, 2009). Na minha dissertação, o livro está sendo importante para conceituar o termo narração transmidiática. O conceito criado por Jenkins surgiu a partir de um artigo em que ele mostrava que a criação de narrativas em diferentes plataformas criava um engajamento e fazia com que a história fosse muito mais interessante. Fazendo uma analogia com a educação, um curso na modalidade da Educação a Distância, por exemplo, além do Ambiente Virtual de Ensino a Aprendizagem, onde está o fórum, as teleaulas, chats etc, pode ter outros meios para se comunicar com os alunos, como uma página no Facebook, um blog, concursos culturais, encontros presenciais, entre outros.
Na sequência, compartilho com você a resenha do livro Cultura da Convergência que fiz para a disciplina de Produção Científica, onde estamos estudando como fazer uma resenha. Logo escolherei um livro lançado em 2013 ou este ano para tentar uma publicação. Boa leitura!
JENKINS, Henry, Cultura da Convergência. 2.ed. Trad. Susane Alexandria. São Paulo: Aleph, 2009. 428p.
Estamos preparados para a cultura da convergência?
Por Brisa Teixeira de Oliveira
A convergência vem proporcionando uma mudança cultural de consumo. A afirmação é de Henry Jenkins, autor do livro Cultura da Convergência. Para Jenkins, um fluxo intenso de conteúdos está distribuído em inúmeras e diferenciadas mídias e a mudança cultural está em buscar essas experiências midiáticas para saciar o desejo de consumo onde quer que ele esteja. Vive-se hoje a era das transformações; transformações que interferem na vida pessoal, social, laboral e cultural. O público-alvo deste livro, no entanto, são profissionais das mais diversas áreas interessados no impacto dessas mudanças no nosso cotidiano.
Professor de Ciências Humanas e fundador e diretor do programa de Estudos de Mídia Comparada do MIT – Massachusetts Institute of Technology, Jenkins acompanha de perto as modificações nos seriados televisivos, no cinema, na publicidade, nos games, na internet, na política e na cidadania. Experiência essa que se reflete em todos os capítulos do livro.
Este livro está dividido em seis capítulos. Na introdução, o autor analisa a convergência com as relações comunicativas. O autor analisa que nossos telefones celulares não são apenas aparelhos de telecomunicações; eles também permitem jogar, baixar informações da internet, tirar e enviar fotografias ou mensagens de texto. Cada vez mais, os aparelhos móveis estão permitindo assistir filmes, baixar capítulos de romances serializados ou comparecer a concertos e shows musicais em lugares remotos.
Do primeiro ao sexto capítulo, Jenkins baseia-se em programas de TV (como Survivor e American Idol), o cinema (por exemplo, Matrix e Guerra nas Estrelas) e até games (como The Sims) para explicar conceitos como inteligência coletiva, narrativa transmídia, economia afetiva, cultura participativa e cultura pública.
No primeiro capítulo, o autor, para conceituar o termo inteligência coletiva, examina a comunidade criada em torno do reality show americano Survivor. Analisa ele que o fluxo de informação que temos à nossa disposição existe porque temos pessoas colaborando com o que sabem. Não é uma informação transmitida por um, que detém um grande conhecimento, o que vale aqui é o pouco que cada um sabe, pois nenhum de nós sabe tudo. Este novo modo de disposição da informação aumenta as possibilidades de interatividade, tornando o consumidor cada vez mais produtor de conteúdo.
O conceito de economia afetiva é construído, no segundo capítulo, onde Jenkins focaliza American Idol, fenômeno da  Reality TV.  Jenkins faz uma analogia entre a compreensão do contexto em que a TV americana está operando e o comportamento do consumidor. Relacionamentos, memórias, fantasias e desejos fluem pelos canais de mídia, segundo o autor. “Às vezes, colocamos nossos filhos na cama à noite e outras vezes nos comunicamos com eles por mensagem instantânea, do outro lado do globo”.
No terceiro capítulo, Jenkins explica o conceito de narrativa transmidiática analisando o fenômeno Matrix. A primeira parte do termo, transmídia, se refere ao fato de ele necessariamente ocorrer em diferentes mídias, ou meios. Já a narrativa é a arte de contar histórias. A narrativa transmidiática tem por característica principal o fato de que cada plataforma oferece um conteúdo exclusivo que visa acrescentar informações a uma história principal.  O uso dessas diferentes mídias tem sido cada vez mais intenso numa tentativa de engajar e envolver os usuários/consumidores.
O quarto capítulo é reservado para entender o engajamento da cultura participativa. Para isso, o autor utiliza-se do exemplo da série Guerra nas Estrelas, por meio da relação dos fãs. A mídia para Jenkins incentiva a transformação cultural, pois ela está embasada numa cultura de consumo como nunca antes vista pela disposição desses produtos. Isso nos faz refletir sobre as principais transformações no cenário de consumo midiático.
No quinto capítulo, tem-se a definição de política da participação, a qual pode ser entendida a partir do conflito entre os fãs de Harry Potter, a Warner Bros – estúdio que comprou os direitos do  livro – e grupos conservadores. Para Jenkins temos uma revolução do conhecimento causadas pela convergência midiática. Mas essa revolução com base na circulação de conteúdos só fará sentido se houver a participação ativa dos consumidores.
Por fim, o sexto e último capítulo é para analisar as questões referentes à cultura pública. Para isso, o autor nos remete ao ano de 2004, quando ocorreu a disputa presidencial americana, fato esse que mostrou a força de uma população engajada na esfera política por meio das redes sociais. Sem uma participação ativa dos consumidores, segundo Jenkins, os conteúdos não terão impacto no poder que tem de transmissão. Se há consumo, diz ele, é porque há o interesse de uma população que busca informação e entretenimento nas mais diversas mídias existentes.
O livro faz o leitor pensar que cada vez mais encontramos tecnologias avançadas, mas conclui-se que não é por meio delas que ocorre a convergência. A convergência não se dá nas coisas, mas nas pessoas que a consomem.  É um processo ao mesmo tempo coletivo e individual porque vai sendo construído pelos indivíduos.
Outra análise de Jenkins é que a mesma informação encontra-se hoje não em um conteúdo apenas, mas em vários. Assim como temos uma diversidade de pessoas com gostos e experiências diferentes, cada uma delas tem por hábito procurar a informação onde mais se sente à vontade, onde mais se encontra disponível e onde mais sente confiança.
São tantas mudanças que é admissível que não estejamos prontos para atuar neste meio. Cada um a seu modo já atua, mas muitos se perdem tamanha a complexidade que está ali inserida. Quem dita a regra, agora, somos nós, o controle e o acesso à participação somos nós que determinamos. Tudo está ao alcance de todos seja a mídia tradicional, convencional ou alternativa. E acima de tudo está o poder do usuário em colaborar neste ciberespaço e contribuir com a inteligência coletiva. Sem o usuário participando, a cultura da convergência não tem razão de existir e de evoluir.